Há situações próximas que me fazem mudar por vezes a maneira como vejo a vida e dou importância às coisas que realmente o são.
Este sábado tive uma dessas situações.
Conheci o Nelson na “curva” há uns anos atrás. Era mais um dos “miúdos” que por lá aparecem. Mas este tinha qualquer coisa de especial. Percebi o que era. Vivia num mundo inocente fruto da idade (hoje está com 21) que tem e da maneira como olha a “curva”. Sem vícios.
Conheci-o através do Daniel. “São uns miúdos que são de uma aldeia do Norte e têm grande vontade de vir para aqui.”. Assim entendi a mensagem e assim fui tentando dar lhes a atenção que mereciam.
De repente deixei de ver o Nelson. Mas como também deixei de ver muita gente, achei normal.
Há uns meses em conversa no MSN o Nelson disse-me que a vida dele agora estava complicada e que passava muito tempo em fisioterapia e por isso não voltava à “curva”.
Acidente perguntei? Não. Uma doença que faz os músculos ficar mais fracos. Disferlinopatia. Uma doença neuromuscular progressiva.
Entrei em “alerta” mas esperei mais algumas novidades.
Mais umas conversas e o Nelson disse-me que viria a Almada este sábado para um encontro de doentes com o mesmo problema dele. Não iria faltar por nada deste mundo. Consegui (e agradeço ao “pessoal”) algumas prendas da “Curva” para ele e lá fui ter com o rapaz.
Recebeu-me com aquele sorriso do tamanho do mundo. Coxeia um pouco mas vejo ali esperança. Vejo ali vontade e querer para vencer. Trocamos uns dedos de conversa no bar da Pousada da Juventude de Almada (que vista brutal sobre Lisboa !!!!) e senti-me bem por ver o Nelson feliz por estar com ele.
Vi vários miúdos em cadeira de rodas mas com vida. Com mais vida que muitas das pessoas com quem lido todos os dias. Provavelmente alguns com mais vida que eu. Tudo na vida muda de um momento para o outro. O segredo talvez seja saber-nos adaptar e nunca perder o sorriso.
Um abraço.